É simples; é uma questão de respeito!
A brincadeira é uma atividade que estar presente entre
meninos e meninas desde tempos antigos. É bem verdade que sempre existiram
discursos do tipo: “Menino não brinca de boneca”, “Menina não brinca de
carrinho”, “Bola é para menino”, e por aí vai.
Acontece que esses discursos, na maioria das vezes, eram
vencidos pelo contrário nas práticas das crianças; todos brincam juntos: de
bola, de escolinha, de carrinho, e até de boneca os meninos brincam com as
meninas, em alguns casos incorporam a figura de uma família, em outros, há
fascínio em arrumar as bonecas, já em outros, curiosidades quanto ao corpo das
bonecas. Eu particularmente brinquei grande parte da minha infância de carrinho
e vídeo game, com primos homens.
Esta imagem chamou minha atenção por três motivos,
primeiro que penso que todos, meninos e meninas, devam brincar juntos em
qualquer brincadeira. Não existe jogo de homem, nem brinquedo de menina. A
criança em si é curiosa e quer participar de todas as brincadeiras e usar todos
os brinquedos que estejam ao seu alcance. Acontece que a sociedade cria
estereótipos do que deve ser de menino e do que deve ser de menina, e então já
sabe né. Temos como exemplo bem claro as
cores, quantas vezes não ouvimos que cor rosa é de menina e cor azul é de
menino.
Segunda coisa que me chamou atenção foi a frase: “Sai
daqui! Que esses assuntos não são prá criança.” Acredito que há um
autoritarismo castrador nessa frase, que faz com que alguns assuntos, de suma
importância de serem conhecidos para o desenvolvimento pleno da vida sexual,
sejam “escondidos” das crianças.
É
fato que precisamos administrar em que fase da vida a criança, adolescente e
jovem deve estar maduro para tratar de determinados assuntos. No entanto, dizer
que determinado assuntos não são para crianças, não vai resolver muita coisa;
afinal estamos em uma sociedade em que as informações são disseminadas em
velocidade surpreendentes, e a criança e adolescente acaba tendo acesso a
qualquer informação.
O
diálogo é importante nesses casos. Cabem aos familiares e a escola esclarecer
as dúvidas das crianças respeitando suas faixas-etárias para acesso de
determinada informação na construção da formação plena da criança.
A
terceira coisa que me chamou a atenção também foi uma frase: “Não chore menino!
Você é homem!!!”. Quanta insensibilidade! O homem também não é ser humano, que
tem sentimentos? Claro que sim. Mas acontece que a sociedade estipulou um
paradigma, dentre tantos, de que homem não chora.
Todos
têm o direito de chorar e expor suas emoções, assim como todos tem direito de
brincar com qualquer brincadeira e acesso a informações necessárias ao seu
crescimento enquanto pessoa. A forma como a sociedade estipula paradigma muitas
vezes castra o desenvolvimento das crianças quanto à sexualidade, lhes impondo
duros padrões dominadores.
As
crianças precisam crescer de forma a irem se conhecendo enquanto pessoa,
sujeito de sua historia que possui uma sexualidade desde o seu nascimento, e
que vai se desenvolvendo física, emocionalmente e intelectualmente. Aos poucos
a crianças vai se tornando adolescentes, jovem adulto e descobrindo seu lugar
no mundo.
Não
acredito que brincar de boneca ou carrinho vá determinar a orientação sexual de
uma pessoa, muito menos que homem não deva chorar, e que certos assuntos devem
ser “escondidos” das crianças. Para mim, todo mundo tem direito ao livre
arbítrio para construir sua identidade sexual dentro dos padrões, crenças,
cultura e valores que carrega em sua personalidade. É simples; é uma questão de
respeito: respeito a brincar, a se informar, e a ser e sentir.
Maria Dalva da Silva Cruz
Nenhum comentário:
Postar um comentário