quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Análise Crítica de imagem selecionada individualmente - Dia 21 de fevereiro de 2014



É simples; é uma questão de respeito!

            A brincadeira é uma atividade que estar presente entre meninos e meninas desde tempos antigos. É bem verdade que sempre existiram discursos do tipo: “Menino não brinca de boneca”, “Menina não brinca de carrinho”, “Bola é para menino”, e por aí vai.

            Acontece que esses discursos, na maioria das vezes, eram vencidos pelo contrário nas práticas das crianças; todos brincam juntos: de bola, de escolinha, de carrinho, e até de boneca os meninos brincam com as meninas, em alguns casos incorporam a figura de uma família, em outros, há fascínio em arrumar as bonecas, já em outros, curiosidades quanto ao corpo das bonecas. Eu particularmente brinquei grande parte da minha infância de carrinho e vídeo game, com primos homens.

            Esta imagem chamou minha atenção por três motivos, primeiro que penso que todos, meninos e meninas, devam brincar juntos em qualquer brincadeira. Não existe jogo de homem, nem brinquedo de menina. A criança em si é curiosa e quer participar de todas as brincadeiras e usar todos os brinquedos que estejam ao seu alcance. Acontece que a sociedade cria estereótipos do que deve ser de menino e do que deve ser de menina, e então já sabe né.  Temos como exemplo bem claro as cores, quantas vezes não ouvimos que cor rosa é de menina e cor azul é de menino.

            Segunda coisa que me chamou atenção foi a frase: “Sai daqui! Que esses assuntos não são prá criança.” Acredito que há um autoritarismo castrador nessa frase, que faz com que alguns assuntos, de suma importância de serem conhecidos para o desenvolvimento pleno da vida sexual, sejam “escondidos” das crianças.

É fato que precisamos administrar em que fase da vida a criança, adolescente e jovem deve estar maduro para tratar de determinados assuntos. No entanto, dizer que determinado assuntos não são para crianças, não vai resolver muita coisa; afinal estamos em uma sociedade em que as informações são disseminadas em velocidade surpreendentes, e a criança e adolescente acaba tendo acesso a qualquer informação.

O diálogo é importante nesses casos. Cabem aos familiares e a escola esclarecer as dúvidas das crianças respeitando suas faixas-etárias para acesso de determinada informação na construção da formação plena da criança.

A terceira coisa que me chamou a atenção também foi uma frase: “Não chore menino! Você é homem!!!”. Quanta insensibilidade! O homem também não é ser humano, que tem sentimentos? Claro que sim. Mas acontece que a sociedade estipulou um paradigma, dentre tantos, de que homem não chora.

Todos têm o direito de chorar e expor suas emoções, assim como todos tem direito de brincar com qualquer brincadeira e acesso a informações necessárias ao seu crescimento enquanto pessoa. A forma como a sociedade estipula paradigma muitas vezes castra o desenvolvimento das crianças quanto à sexualidade, lhes impondo duros padrões dominadores.

As crianças precisam crescer de forma a irem se conhecendo enquanto pessoa, sujeito de sua historia que possui uma sexualidade desde o seu nascimento, e que vai se desenvolvendo física, emocionalmente e intelectualmente. Aos poucos a crianças vai se tornando adolescentes, jovem adulto e descobrindo seu lugar no mundo.

Não acredito que brincar de boneca ou carrinho vá determinar a orientação sexual de uma pessoa, muito menos que homem não deva chorar, e que certos assuntos devem ser “escondidos” das crianças. Para mim, todo mundo tem direito ao livre arbítrio para construir sua identidade sexual dentro dos padrões, crenças, cultura e valores que carrega em sua personalidade. É simples; é uma questão de respeito: respeito a brincar, a se informar, e a ser e sentir. 
                                              Maria Dalva da Silva Cruz
           

Nenhum comentário:

Postar um comentário