sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Análise Texto II: Violência Sexual - Aula dia 21 de Fevereiro de 2014


INOUE, Silvia Regina Viodres; RISTUM, Marilena. Violência sexual: caracterização e analise de casos revelados na escola. Estudos de Psicologia: Campinas: 25 (1) :11-21: janeiro-março, 2008.

Violência/Abuso Sexual e a Escola

            A violência sexual é um dos temas sociais em destaque. Muitos são os fatores de violência sexual, que ocorrem em diversos ambientes, principalmente na família.

            A escola deve ser o ambiente em que crianças e adolescentes devam se sentir seguras e protegidas para falar e tratar desse assunto polêmico, que tem vitimado inúmeras crianças e adolescentes em todo o mundo.

            No ano de 1960, a discussão sobre violência sexual contra crianças e adolescentes surge como problema médico-social nos Estados Unidos. No Brasil, surgiram os primeiros diagnósticos de maus tratos também na mesma década. Propostas de intervenção surgidas frente à problemática emergiram na criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), promulgado em julho de 2009, pela lei Federal n 8.069/90. O Estatuto da Criança e do Adolescente surge com o objetivo de garantir a proteção integral da criança e do adolescente.

            Os termos etimológicos que encontramos ao tratar da temática são: Violência sexual, maus tratos e abuso sexual.

             O abuso sexual é definido pelo Ministério da Saúde (2002) como:

todo ato ou jogo sexual, relação heterossexual ou homossexual cujo agressor está em estágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado que a criança ou adolescente. Tem por intenção estimulá-la sexualmente ou utilizá-la para obter satisfação sexual. Apresenta-se sob a forma de práticas eróticas e sexuais impostas à criança e ao adolescente pela violência física, ameaças ou indução de sua vontade. Esse fenômeno violento pode variar desde atos em que não se produz o contato sexual (voyerismo, exibicionismo, produção de fotos), até diferentes tipos de ações que incluem contato sexual sem ou com penetração. Engloba ainda a situação de exploração sexual visando lucros como é o caso da prostituição e da pornografia (Ministério da Saúde, 2002, p.13).

Os agressores geralmente são pessoas mais próximas à vítima, seja da mesma família com grau de parentesco (pais, tios, avós), ou vizinhos, colegas e conhecidos da família que frequentam o mesmo ambiente da vítima. Em outros casos os agressores também são desconhecidos, que ficam cercando as vítimas com ameaças e opressões.

A violência sexual se configura fisicamente, intectualmente, psicológica e emocionalmente. A violência sexual pode ainda comportar as subcategorias: doméstica, intrafamiliar e extrafamiliar. A violência doméstica é exercida na esfera privada, na casa da vítima, independente dos agressores serem membros da família. A violência sexual intrafamiliar acontece dentro da família, por agressor que possui uma relação de parentesco ou vínculo familiar com a vítima e algum poder sobre ela. A violência sexual extrafamiliar ocorre fora do âmbito familiar, podendo ser cometida por conhecidos, como vizinhos e colegas, ou por desconhecidos.

A violência e o abuso sexual, pouco é denunciado na sociedade. Os motivos são: sentimento de culpa, medo de represálias e ameaças, vergonha por parte da vítima, e ainda o fato da sexualidade ser tratada como tabu. E ainda o fato de que o agressor por ser membro da família não deve ser denunciado.

A escola possui papel importante para identificar e denunciar casos de violência e abuso sexual. Tudo começa quando a professora identifica mudanças no comportamento das vítimas como agressões, ansiedade, atitudes depressivas, isolamento, tristeza, medo e insegurança, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e até a própria verbalização do fato pelas crianças.

 “A escola deve se comprometer com a garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes, e a adesão dos educadores fortalece a militância em defesa desses direitos. A atuação do professor na identificação e denúncia da violência sexual é fundamental, principalmente nas primeiras séries, quando os educadores permanecem cerca de quatro horas diárias com as crianças.”.  (INOUE e RISTUM, 2008, p. 15).

Ao identificar a professora e a escola não podem silenciar, é preciso denunciar, e proteger a criança. A escola muitas vezes é o único lugar em que a criança se sente segura para falar do ocorrido, por isso é preciso à escola desenvolver uma postura de compromisso e responsabilidade com o bem estar das crianças e adolescentes.

“É importante que o educador perceba que, em muitos momentos, na vida destas crianças e adolescentes, o professor pode ser a única figura capaz de protegê-las de alguma forma, mesmo que seja por meio de denúncia anônima.”. (INOUE e RISTUM, 2008, p. 20).

É claro que esse tema não é responsabilidade exclusiva da escola. Enfrentar a violência e o abuso sexual contra crianças e adolescentes são prioridade integrada dos setores da saúde, segurança, justiça e educação, junto ao envolvimento direto da família e sociedade civil organizada.

Fórmulas prontas para encarar à problemática não são encontradas. A educação é um processo de construção, e a escola tem que buscar meios e estratégias de apoio às crianças e adolescentes vítimas de abuso e violência sexual, priorizando a saúde física, mental e psicológica desses alunos; sabendo que na justiça há aparato legal em defesa dos direitos das crianças e adolescentes.

           
                                                         Maria Dalva da Silva Cruz

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